Tapete

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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

GRANDES POETAS

Contando Histórias

Soneto de felicidade
de Vinicius de Moraes.
De todo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto.
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento.
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto.
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quanto mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive.
Quem sabe a solidão, afim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

MOMENTO DE LAZER
Autopsicografia
Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chegar a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de cordas
Que se chama coração.

Luis Vaz de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentasse descontente,
é dor de que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo amor?

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